Museu de Minerais, Minérios e Rochas Heinz Ebert

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Blog

01/09/2017

O que um geólogo carrega na mochila?

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por Cibele Montibeller

 

O geólogo é um profissional diferenciado. Tem como ferramentas de trabalho básicas o martelo, a lupa, o canivete e a caderneta de anotações, mas existem outros itens que podem ajudar (e muito!) a se virar em diferentes situações no campo.

Localizar-se, obviamente, é um dos passos mais importantes para não passar apuros em locais diferentes ou inóspitos, além de ajudar a registrar com precisão suas observações de campo. Para isso, um bom mapa topográfico e de acesso é o mais importante, impresso em uma escala condizente com o trabalho e em papel que não borre quando molhado, ou pelo menos protegido em sacos plásticos. Fotografias aéreas, ou mesmo um mosaico de imagens de satélite, também se mostram muito úteis, principalmente pela localização de estradas, vias de acesso e trilhas, muito mais atuais do que a maioria dos mapas topográficos brasileiros.

Uma bússola simples e um GPS, embora não obrigatórios, podem ajudar muito a salvar a pele dos mais perdidos com localização geográfica. Principalmente a bússola, uma vez que em lugares de mata ou com cobertura, o GPS pode deixar o geólogo na mão. E se não for possível ver o sol, a localização geográfica fica ainda mais difícil.

Se o seu objetivo é fazer um mapa geológico, a mochila deve conter canetinhas coloridas, régua, esquadro, transferidor, lápis de cor, borracha, lápis preto, apontador, lapiseira, grafite, enfim, um sortimento completo e materiais para escritório, já que fazer o mapa no campo poupa muito trabalho posterior. Na maioria dos trabalhos geológicos, é impossível acessar novamente áreas uma vez visitadas, pela sua localização, pelos custos, pelo planejamento estratégico, pela permissão de pesquisa, etc. Portanto, é obrigação do geólogo elaborar bons mapas esquemáticos ainda em campo, aproveitando para fazer perfis, seções, e outras ilustrações que destaquem feições de interesse observadas em campo.

Máquinas fotográficas podem ser interessantes para ilustrar o contexto geral ou alguma particularidade, mas esquemas e desenhos dos afloramentos mantém a memória viva para aquelas feições muito particulares que representam o brainstorm do profissional defronte a seu objeto de estudo. Nunca subestime o poder da arte!

Para quem faz atividade de campo pensando em aspectos estruturais, é imprescindível o uso de uma bússola própria para atividades geológicas. A escolha entre um modelo Brünton ou Clar depende da afinidade do geólogo com cada um destes instrumentos, sendo que a Brünton tem a vantagem de permitir o levantamento de seções a partir de visadas. A Clar, por sua vez, permite a obtenção mais rápida de medidas, e passa a ser indicada caso o objetivo seja obter o maior número de informações estruturais possível no menor espaço de tempo disponível.

Se o seu objetivo num trabalho de campo é a petrogênese de sua área, a identificação dos minerais presentes nas rochas é muito importante. Para isso, o kit básico da mineralogia deve ser aplicado: lupa, canivete, ácido clorídrico diluído para reações com carbonatos, placa de porcelana para testar a cor do traço dos minerais, uma pequena placa de vidro, e mais um ou dois objetos para testar a dureza: uma moeda de cobre, um palito de fósforo, um cristal de quartzo… aquilo que mais agradar ao freguês. Para áreas com potencial para fosfatos, uma solução diluída de ácido nítrico e molibdato de amônio pode ser aplicada.

Toda solução ácida levada para campo deve ser acondicionada em frascos de plástico com tampa conta-gotas, por uma questão óbvia de segurança. Se o frasco for de vidro, é muito fácil que se quebre na mochila em meio a tantos outros objetos, e se for necessário abri-lo totalmente para acessar o líquido, ele pode se derramar. Em qualquer uma das situações, há riscos para o profissional, então é melhor agir com prevenção.

Para quem vai coletar amostras, além do martelo, sua vida pode ficar muito mais fácil com o uso de uma marreta de 2 kg não emborrachada (as marretas emborrachadas têm um efeito elástico, e o rebote acaba dificultando quebrar as rochas), uma talhadeira e uma ponteira. Para rochas sedimentares, a talhadeira é item de primeira necessidade, mas também pode ajudar muito em rochas ígneas ou metamórficas fraturadas. Para áreas com cobertura de solo, é recomendável o uso de uma pequena enxada, que pode “descascar” afloramentos intemperizados e expor partes frescas das rochas, preparando inclusive a seção para uma boa foto.

Não esqueça de levar sacos plásticos, fita crepe, caneta esferográfica e pequenos pedaços de papel resistente para acondicionar, etiquetar e nomear as amostras. A caneta esferográfica sobre papel ou fita crepe não borra, e dificilmente sai, ao contrário de marcadores permanentes ou canetas hidrográficas. Marcadores permanentes de ponta grossa podem ser interessantes para fazer marcações diretamente na superfície das amostras, como em amostras orientadas por exemplo. Na ausência de marcadores permanentes, pode ser utilizado giz de cera.

E por último, mas também o item mais importante desta lista, são os equipamentos de segurança. O uso de martelo nas rochas, principalmente cristalinas, pode arremessar lascas e fragmentos diversos, que podem causar ferimentos sérios. Por isso, o uso de óculos de proteção ao quebrar rochas é sempre recomendado. Se o esforço for contínuo, o uso de luvas de trabalho pode ser uma boa pedida. E ao visitar pedreiras e grandes exposições rochosas, o uso de capacete é uma obrigação, uma vez que quedas de blocos são comuns. Em regiões de mata, margens de rios, aterros sanitários e similares, é recomendado o uso de perneiras de couro firmemente amarradas às pernas, para evitar contato com animais peçonhentos, e mesmo para evitar ferimentos causados por materiais perfurocortantes dispostos de maneira irregular no solo.

Para a seção de segurança, os cuidados pessoais são tão importantes quanto os equipamentos de proteção individual. Além da vestimenta que oferece boa proteção contra agentes externos, a mochila de um geólogo deve estar munida de um chapéu de abas largas, para proteger-se do sol; uma capa de chuva (por motivos óbvios); um protetor solar com fator FPS 30 ou superior (em regiões de sol intenso, recomenda-se protetor acima de FPS 60, independentemente da cor da pele ou da reação individual às exposições prolongadas ao sol); repelente de insetos; alimentos rápidos (como barras de cereal e biscoitos integrais) e pelo menos 3 litros de água fresca.

Bom, este é kit básico de trabalho de um geólogo, sendo que todos estes itens são bastante importantes para o desenvolvimento de trabalhos de campo. Caso o trabalho de campo seja feito em escala regional, possivelmente o geólogo e sua equipe irão fazer a maior parte do trajeto de carro, e a maioria dos materiais pode ficar então no porta-malas. Mas se o mapeamento for em escala de detalhe, os equipamentos devem ser companheiros constantes na mochila do geólogo, além das amostras que serão coletadas, que devem também ocupar seu espaço na mochila. Por esse motivo, é importante possuir bom conhecimento de suas capacidades físicas antes de iniciar uma caminhada no campo, adaptando o planejamento ao ritmo de cada membro da equipe de mapeamento.

Resumo em lista, lembrando que os itens de segurança são sempre obrigatórios, os demais você pode escolher de acordo com o seu objetivo em campo:

  • óculos de proteção
  • luva
  • capacete
  • perneiras de couro
  • chapéu de abas largas
  • capa de chuva
  • protetor solar com fator FPS 30 ou superior
  • repelente de insetos
  • alimentos rápidos (como barras de cereal e biscoitos integrais)
  • pelo menos 3 litros de água fresca
  • martelo
  • lupa
  • canivete
  • ácido clorídrico diluído
  • placa de porcelana
  • placa de vidro
  • moeda de cobre, palito de fósforo ou cristal de quartzo
  • frascos de plástico com tampa conta-gotas
  • marreta de 2 kg não emborrachada
  • talhadeira
  • ponteira
  • enxada
  • caderneta de anotações
  • mapa topográfico e de acesso
  • mapas em papel que não borre quando molhado ou proteger em sacos plásticos
  • fotografias aéreas
  • mosaico de imagens de satélite
  • bússola
  • GPS
  • canetinhas coloridas
  • régua
  • esquadro
  • transferidor
  • lápis de cor
  • borracha
  • lápis preto
  • apontador
  • lapiseira
  • grafite
  • máquina fotográfica
  • sacos plásticos
  • fita crepe
  • caneta esferográfica
  • giz de cera
  • pedaços de papel resistente para acondicionar, etiquetar e nomear as amostras

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